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Quem vai ganhar a eleição de 2026?

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Redação Front
17/04/2026
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Todo mundo que trabalha com política já ouviu essa pergunta dezenas de vezes neste ano. Ela vem de diversas maneiras: "Será que o Lula ganha?", "E o Flávio Bolsonaro subindo nas pesquisas, hein?", “Tem como a 3ª via ganhar a eleição?”

Cientista político não é a Mãe Dinah. Responder quem vai ganhar a eleição é um pouco mais complexo do que apenas jogar ao vento o nome de quem pode sair vencedor.

A ciência política nos traz alguns critérios que ajudam a ter um palpite sobre o resultado eleitoral. Por exemplo, quando um governo tem mais de 50% de reprovação, a chance de reeleição é baixa. Quando um governo tem menos de 40% de reprovação, a chance de reeleição é alta. Já quando um governo tem entre 40% e 50% de reprovação, tudo pode acontecer.

O presidente Lula tem oscilado na casa dos 40% a 50% de reprovação, na faixa do ‘tudo pode acontecer’. O que nos obriga fazer a pergunta: ‘qual o perfil das pessoas que desaprovam o governo Lula?’. Quando olhamos as pesquisas eleitorais mais atentamente, encontramos as seguintes respostas:


- Homens desaprovam Lula mais do que mulheres;

- Jovens de 25 a 34 anos desaprovam mais do que outras faixas etárias;

- Quem tem apenas o ensino fundamental desaprova Lula mais do que outros níveis educacionais;

- Pessoas que ganham entre 3 e 5 mil reais por mês desaprovam mais;

- Evangélicos desaprovam mais do que qualquer outra religião

- Moradores do Centro-Oeste desaprovam mais do que outras regiões.


Em síntese, a chance de um homem goiano de 30 anos aprovar Lula é muito baixa. Se ele tiver apenas o ensino fundamental, ganhar 4 mil reais por mês e for evangélico, essa chance é mínima.

O impulso, então, é fazer a seguinte afirmação: “se a campanha de Lula fizer um trabalho focado nesse perfil eleitoral, poderá diminuir a rejeição do presidente e ganhar a eleição.” Correto? Errado. Esse eleitor, provavelmente, está decidido quanto ao seu voto. Ele irá votar em Flávio Bolsonaro.

Os eleitores que podem ser disputados pelas campanhas não são os já decididos. Os eleitores em disputa são os indecisos. Segundo o Projeto Brief, o perfil dos indecisos no Brasil se concentra principalmente nos seguintes grupos: jovens de 16 a 24 anos, mulheres, idosos e trabalhadores de aplicativo.

As campanhas sabem disso. Também sabem que não adianta tentar converter quem já está decidido a votar no adversário. É mais fácil tentar puxar quem ainda não decidiu seu voto. Estima-se que o grupo de eleitores indecisos no Brasil seja de 10 milhões de pessoas. Considerando que no país há cerca de 160 milhões de eleitores, os indecisos representam apenas cerca de 6% do eleitorado. Ou seja: apenas 6% dos eleitores vão decidir as eleições presidenciais de 2026. Não podemos esquecer também que parte desses 10 milhões de indecisos sequer vai sair de casa para votar.

Todos os esforços de Flávio Bolsonaro e Lula estarão concentrados em ganhar a simpatia desses grupos de jovens, mulheres, idosos e trabalhadores de aplicativo. Já vemos movimentações nesse sentido. Nas últimas semanas, o governo Lula tem tentado fixar um valor mínimo de R$10 por entrega para os entregadores. Lula, fundador do Partido dos Trabalhadores, hoje tem enorme dificuldade de falar com o trabalhador de aplicativo, que busca mais liberdade do que direitos. Já Flávio Bolsonaro tem subido em alguns palanques com uma camiseta em que está escrito ‘pai de menina’. Flávio, filho de Jair Bolsonaro, tem enorme dificuldade de falar com as mulheres, já que seu pai tinha falas agressivas sobre esse grupo eleitoral tão numeroso.

Embora nenhum cientista político tenha bola de cristal, é possível prever algumas jogadas (mas não o resultado final delas). Flávio Bolsonaro vai fazer de tudo para parecer mais moderado do que o pai, numa espécie de criação do personagem ‘Flavinho Paz e Amor’. Já Lula, com a máquina na mão, vai fazer de tudo para efetivar políticas públicas que tragam dinheiro para o bolso dos brasileiros; um povo com a geladeira vazia sempre foi e continuará sendo sinal de fracasso de um governo.


Não será fácil para Flávio Bolsonaro se descolar da imagem bélica do pai. Com um cenário de guerra internacional e inflação à vista, também não será nada fácil para Lula encher a geladeira do brasileiro com cerveja e picanha. O que está acontecendo no Irã preocupa muito mais o governo Lula do que a campanha de Flávio. Quem governa sempre fica com o telhado de vidro mais exposto do que quem apenas faz campanha.

Agora, pra finalizar, chegou a hora de responder à pergunta título desta coluna:

Vai ganhar a eleição presidencial de 2026 quem conseguir se comunicar melhor com jovens, mulheres, idosos e trabalhadores precarizados. Vai ganhar a eleição de 2026 o candidato que fizer os indecisos saírem de casa para votar.

Quem já decidiu o voto não vai decidir as eleições.

Há chances, mais uma vez, de a eleição ser decidida por 1% dos votos. Haja coração.

Aos cientistas políticos e cardiologistas não vai faltar trabalho.

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