
Podemos começar dizendo que o barril de pólvora impacta diretamente no barril de petróleo. Como o Irã é o 4º maior produtor de petróleo do mundo e fechou a passagem de navios petroleiros na região do Oriente Médio, o preço do petróleo já tem disparado.
O ano começou com o barril a 40 dólares. Apenas 3 meses depois está chegando no triplo desse preço.
O Brasil não trabalha mais com a chamada PPI (paridade de preços internacionais). Isso significa que a Petrobras não transmite o aumento imediatamente. Ela vai fazendo isso com o tempo.
Se essa guerra continuar, quando a Petrobras começar a anunciar os aumentos, eles serão dramáticos. Nós bem sabemos que petróleo caro não significa apenas inflação na gasolina e no diesel, mas principalmente nos alimentos, afinal, o transporte no Brasil é feito principalmente com caminhões.
Se o preço dos alimentos aumenta, os mais afetados são a base principal de Lula: as classes D e E. Qualquer aumento de itens da cesta básica prejudica consideravelmente o orçamento dos mais pobres.
Em autodefesa, Lula dirá que a inflação estava controlada e a guerra tirou as coisas de controle. A narrativa de Flávio será que Lula é amigo de regimes autoritários; que não sabe administrar a economia e que está sobrando menos dinheiro no bolso de quem mais precisa.
Essa guerra tem outro impacto direto no Brasil: ela adia o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca. Encontro este que seria benéfico para a pré-campanha de Lula, afinal, o Brasil saiu-se vitorioso na guerra comercial, vulgo as taxações de Trump.
Tal encontro estava programado para março, mas com os conflitos no Oriente Médio, não há data para a reunião na Casa Branca.
Nos últimos 20 anos, os presidentes estadunidenses têm demonstrado admiração por Lula. Bush filho tinha ótima relação com Lula. Obama chegou a dizer na ONU que Lula ‘é o cara’. Trump disse que se dá muito bem com Lula e adoraria recebê-lo.
Isso traz um ganho subjetivo que é difícil de mensurar, mas fácil de se tornar narrativa indireta de campanha. Principalmente perante um brasileiro que gosta de ser validado internacionalmente. Quando um estrangeiro elogia, o brasileiro fica todo todo.
Um ganho marginal para o Brasil que poderá ser sentido nessa guerra é o aumento da venda de petróleo para a China. Os iranianos vendem/vendiam 90% do seu petróleo para os chineses. Com essa rota comercial bloqueada, a China precisará procurar outros mercados (ao menos momentaneamente) e a Petrobras pode se beneficiar disso. Porém, os dividendos desse aumento de vendas de petróleo para os chineses não serão sentidos a curto prazo, talvez não dando tempo de serem percebidos até as eleições.
Num resumo final, podemos dizer que a Guerra no Irã certamente vai impactar os preços do combustível e dos alimentos; que vai adiar a reunião entre Lula e Trump e que pode beneficiar a Petrobras.
Entre pontos positivos e negativos, resta saber quem vai saber capitalizar melhor essa explosão de acontecimentos: se Lula ou Flávio Bolsonaro.

A ciência política diz que uma derrota eleitoral é perdoável; que duas derrotas são perigo puro; mas que três derrotas são fatais, com raríssimas exceções. Haddad está indo para sua quarta derrota eleitoral seguida.

Durante as eleições de 2002, Lula escreveu um dos documentos históricos mais importantes da política brasileira, a ‘Carta ao Povo Brasileiro’. Nessa carta ele assumia 3 compromissos principais.