.png)
Zema entendeu como a internet funciona.
Mesmo que não se candidate, o político mineiro aprendeu a fazer barulho. A estratégia Zema é uma candidatura ou acordo com Flávio Bolsonaro?
Nas últimas semanas, o ex-governador de MG, Romeu Zema, não saiu do noticiário. Sua postura combativa contra o STF e falas polêmicas têm lhe rendido a atenção que todo candidato à presidência da República precisa.
Pode ser que o plano seja outro: um acordo para garantir a vaga de vice na chapa do clã Bolsonaro. Um vice sem papas na língua como Zema é extremamente vantajoso.
Permite que Flávio modere seu discurso, buscando mais votos ao centro, sem que a chapa perca a simpatia dos extremistas, representados nas falas de Zema. Falas do Zema que chamam atenção: ‘Eu vou privatizar tudo’ ‘Eu vou liberar o trabalho infantil. Lá fora nos EUA criança trabalha, aqui é proibido. A esquerda criou essa visão lamentável.’ ‘Estão criando uma geração de imprestáveis’.
Para muitas pessoas, essas são falas abjetas. Porém, uma parcela não desprezível de 15% a 20% dos brasileiros compõem o chamado núcleo duro do bolsonarismo. Esse grupo defende com unhas e dentes falas desse tipo.
E é para essas pessoas que Zema tem falado.
Enquanto Zema cativa eleitores que buscam uma visão mais extremista, Flávio poderá cativar os indecisos, que ainda receiam votar no candidato do PL por medo de ele se parecer muito com o pai. Se a chapa se concretizar, Zema fará o papel de Jair. Flávio fará o papel de um moderado de direita, como foi Serra, como foi Aécio, como foi Alckmin.
Flávio Bolsonaro e Romeu Zema se juntarão nos ataques ao STF. Ambos sabem que a popularidade da corte está no chão. Eles irão pautar não apenas o impeachment, mas diversas reformas no judiciário. Uma já sinalizada por Zema: “A idade mínima para entrar no STF deveria ser de 60 anos; como um papa”
Parte da esquerda gosta de diminuir Zema. Dizem que é burro, despreparado, iletrado. Talvez estejam precisando entender um pouco mais o conceito de estratégia. Sun Tzu, filósofo chinês, disse em seu livro A Arte da Guerra: “Toda guerra é baseada no engano. Domine a arte da dissimulação.”
Talvez Zema nem acredite em algumas das falas mais extremas que diz. Mas ele sabe que, ao falar o que fala, ele não apenas irrita o inimigo (esquerda), mas também ajuda a moderar o aliado (Flávio Bolsonaro). Agora é ver se a estratégia dará certo, se Romeu Zema será vice na chapa com Flávio e se ambos chegarão ao Palácio do Planalto.
A caminhada é longa, mas a estratégia está posta.

Todo mundo que trabalha com política já ouviu essa pergunta dezenas de vezes neste ano. Ela vem de diversas maneiras: "Será que o Lula ganha?", "E o Flávio Bolsonaro subindo nas pesquisas, hein?", “Tem como a 3ª via ganhar a eleição?”

A direita está preocupada. Com o escândalo do Master respingando em Flávio Bolsonaro, existe uma dúvida sobre qual vai ser o nome escolhido para as eleições. A cada pesquisa se confirma que Flávio Bolsonaro não apenas perdeu tração, como pode ser substituído.