
Uma publicação recente de Tarcísio atacando o desfile de carnaval envolvendo Lula alcançou sugestivos 13 milhões de views. Repare bem: ao invés de declarar de maneira clara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, Tarcísio segue tentando protagonizar a oposição a Lula. Esse mesmo post de Tarcísio foi compartilhado por Michelle que rapidamente começou a ser cobrada por bolsonaristas por não fazer campanha para Flávio enquanto espalha a mensagem de Tarcísio nas próprias redes.
Nikolas, o político com mais seguidores nas redes sociais brasileiras (hoje com 22 milhões de seguidores), tem chamado seu público para uma manifestação contra o escândalo do Banco Master. Após uma bem-sucedida marcha rumo a Brasília, dessa vez o chamamento é para a Avenida Paulista. O objetivo dessa futura manifestação é pressionar pelo impeachment de ministros do STF, fazer oposição ferrenha a Lula e, quem sabe, talvez, citar uma ou outra vez o nome de Flávio Bolsonaro.
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Agora vamos observar a situação de Jair e seus filhos. O patriarca está preso. Eduardo está ‘exilado’. Carlos está decidido a provocar um tornado na política de Santa Catarina e disposto até a sair do PL caso seus interesses não sejam contemplados. Flávio segue crescendo lentamente nas pesquisas. Se consolidou como o sucessor de Jair, ao menos para 2026. O teste de Flávio deu certo. O que alguns previam, que o nome partiria de um piso baixo e que teria um teto igualmente baixo, não se cumpriu. Pesquisas apontam Flávio empatado com Lula em alguns cenários sem outros candidatos à direita.
Embora preso, Jair Bolsonaro transformou a papudinha em QG eleitoral. Suas articulações semanais estão ditando os rumos da direita brasileira. Rumos esses que irritam Tarcísio, Michelle e Nikolas. O trio sabe que Jair e seus filhos vão segurar o poder com unhas e dentes, mas com uma paciência quase subserviente, comem pelas beiradas, esperando uma escorregada para avançar. Se Flávio escorregar, a chapa Tarcísio/Michelle pode surgir. Mas isso só se Flávio escorregar antes de abril, afinal a data limite para ele tomar a sua grande decisão é 4 de abril, quando membros do poder executivo precisam se desincompatibilizar do cargo.
Não existe, hoje, analista capaz de prever o futuro da direita brasileira, mas o que fica cada vez mais claro é que existem dois grupos disputando esse território. De um lado temos Tarcísio, Michelle e Nikolas, de outro temos Jair, Flávio, Eduardo e Carlos. Cada um vai jogar com as armas que tem. Se de um lado Tarcísio, Michelle e Nikolas têm muito menos desgaste perante a opinião pública, do outro lado, Jair, Flávio, Eduardo e Carlos têm o sobrenome que revolucionou a política brasileira no século 21.
Estes dois grupos ainda não estão em guerra aberta. A artilharia tem sido mais cínica, discreta, estratégica. Se Flávio perder as eleições, Tarcísio, Michelle e Nikolas surgem, com muita força, como os principais nomes da direita brasileira. Mas se Flávio Bolsonaro chegar à Presidência da República, Tarcísio, Michelle e Nikolas vão passar pelo mesmo moedor de carne aliada que já passaram Sérgio Moro, João Dória, General Santos Cruz, Gustavo Bebianno, Joyce Hasselmann, Henrique Mandetta, entre outros que ousaram tentar brilhar mais que o clã.

A ciência política diz que uma derrota eleitoral é perdoável; que duas derrotas são perigo puro; mas que três derrotas são fatais, com raríssimas exceções. Haddad está indo para sua quarta derrota eleitoral seguida.

Com Flávio Bolsonaro encostando em Lula e o preço do petróleo encostando em 120 dólares, uma pergunta fica no ar: Como a Guerra no Irã afeta o Brasil?