
Nos gabinetes de Brasília, nas redações de São Paulo, nos cafés políticos de todo o Brasil o assunto é um só: o áudio vazado de Flávio Bolsonaro cobrando 134 milhões de reais de Daniel Vorcaro. A conversa atinge em cheio um dos pilares que o bolsonarismo tenta sustentar há anos: a superioridade moral e ética perante o PT.
No áudio fica claro que Flávio Bolsonaro pressionou Vorcaro para um rápido aporte de muitos milhões de reais que teriam como destino a produção de um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Mas um dos problemas dessa versão é que os depósitos feitos pelo então dono do Banco Master foram parar direto na conta de um advogado de Eduardo Bolsonaro, no Texas.
Ou seja, ainda iremos descobrir se a doação de Vorcaro era mesmo para o filme. Há indícios que Flávio possa ter ludibriado Vorcaro e deixado nas mãos da família um dinheiro que era para ir direto para a produção do filme.
Nas últimas horas a gritaria nas redes sociais foi enorme. Houve gente dizendo que o áudio era ‘montagem de inteligência artificial’, teve quem dissesse que a mídia foca demais nesse escândalo, mas esquece que Vorcaro também doou para filmes do Lula e de Temer. E mais: teve muita gente nos bastidores da política dizendo que Flávio está liquidado. Essa afirmação não é exagerada, mas devemos ter cautela.
Por mais impactante que possa ter sido esse tiro na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o que garante que a pré-campanha de Lula não sofra um tiro de iguais proporções daqui semanas ou meses?
Se levarmos em consideração que semana passada foi a pior semana da presidência Lula, por conta das derrotas na dosimetria e na indicação de Lula ao STF; e que nessa semana é Flávio quem está tendo a pior semana política da vida, não podemos bater nenhum martelo. As flechas estão sendo atiradas para todos os lados e podem atingir tudo e todos.
O escândalo do Master vai reconfigurar a política nacional. O envolvimento do Centrão com Daniel Vorcaro é explicitamente representado na figura de Ciro Nogueira, presidente do PP. Ciro recebeu do banqueiro uma mesada de meio milhão de reais para defender os interesses do Banco Master no Congresso brasileiro. Ciro, um dos maiores expoentes do Centrão, tem sofrido uma devassa em sua vida.
Essa mesma devassa pode começar a acontecer com diversas outras figuras da política e da justiça, como Antonio Rueda, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes. Com uma chacoalhada dessas proporções, podemos imaginar que voltará à tona uma narrativa antissistema, dessa vez incluindo o bolsonarismo no chamado sistema.
Se hoje 30% da população vota em Lula, 30% vota na família Bolsonaro, dá pra dizer tranquilamente que 30% não suporta nenhum dos dois. Isso abre espaço para vozes como as de Renan Santos e Romeu Zema, tidos como os mais desconectados dos grandes partidos nacionais.
É muito difícil que Flávio Bolsonaro recupere-se do tiro que tomou. Já existe um bafafá que Michelle Bolsonaro pode ser a nova pré-candidata do partido. Isso, claro, enfureceria os filhos e também deixaria Jair Bolsonaro louco de raiva.
Acontece que as opções são poucas:
- Manter Flávio Bolsonaro sangrando em praça pública e segurar o poder da direita no clã Bolsonaro.
- Indicar Michelle à candidatura, mas com a certeza de que ela tem luz própria e iniciará um novo percurso da direita brasileira.
Michelle, que não é besta, tem mantido silêncio em relação ao áudio de Flávio Bolsonaro. Parece que a ex-primeira-dama estudou direitinho aquele ensinamento de Sun Tzu que diz assim: quando seu adversário estiver cometendo um erro, não o atrapalhe.
Flávio não está liquidado, mas está agonizando. Já Michelle Bolsonaro está no aquecimento ansiosa para entrar em campo e marcar um golaço.
Em ano de Copa do Mundo e eleição presidencial, tudo pode acontecer.
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A grande pergunta feita por aqueles que acompanham as eleições em SP é: Tarcísio de Freitas vai ganhar no 1º ou no 2º turno?

A popularidade do governo Lula 3 não está das melhores. Até aliados estão preocupados com uma possível desistência de Lula de concorrer ao 4º mandato.